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Crea-RJ multa empresa após morte em montagem de palco para show de Shakira

Empresa MG Coutinho será autuada por falta de registro após acidente fatal durante montagem de palco em Copacabana

28/04/2026 às 11:16
Por: Redação

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) anunciou que irá aplicar uma autuação e multa à empresa MG Coutinho Serviços Cenográficos, devido ao falecimento de um trabalhador durante a preparação da estrutura para a apresentação da cantora Shakira, programada para acontecer na Praia de Copacabana no próximo sábado, dia 2.

 

Segundo informações do conselho, a fiscalização constatou que a MG Coutinho Serviços Cenográficos não possui registro junto ao Crea-RJ para atuar em atividades relacionadas à engenharia, tampouco conta com um responsável técnico habilitado para os serviços realizados. O acidente ocorreu no domingo, dia 26, durante as operações de montagem do palco.

 

O trabalhador Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, exercia a função de serralheiro e foi vítima de esmagamento nas pernas provocado por um sistema de elevação utilizado na montagem da estrutura. O incidente aconteceu na tarde de domingo. Colegas de equipe retiraram Gabriel do equipamento antes mesmo da chegada dos bombeiros.

 

O trabalhador foi encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto, localizado no Leblon, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito.

 

O Crea-RJ informou que seus agentes acompanham as atividades de montagem do palco desde o dia 7 de abril e estiveram novamente no local nesta segunda-feira, dia 27, para coletar mais informações referentes ao acidente que levou à morte do operário.

 

Além disso, o conselho comunicou oficialmente à empresa Bônus Track, responsável pela produção do evento, solicitando que seja apresentada a lista completa de empresas e de profissionais que prestam serviços técnicos de instalação e manutenção relacionados ao espetáculo da cantora Shakira. Também foram requisitados documentos como contratos e notas fiscais referentes a esses serviços. O prazo estabelecido para que a produtora responda à solicitação é de quatro dias, a contar desta segunda-feira.

 

A reportagem tentou contato com a MG Coutinho Serviços Cenográficos, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno. Já a empresa Bônus Track, por meio de nota encaminhada à imprensa, lamentou a morte do trabalhador e afirmou estar oferecendo apoio à família da vítima.

 

Polícia Civil apura circunstâncias do acidente

 

O caso está sob investigação da Delegacia Policial de Copacabana, conduzida pelo delegado Ângelo Lages. O delegado afirmou à imprensa que trabalha com duas hipóteses para a classificação da morte do trabalhador: homicídio culposo ou acidente de trabalho.

 

“Vamos trabalhar com as duas possibilidades e concentrar os trabalhos no equipamento.”

 

Segundo o delegado, a investigação irá verificar se houve negligência, imprudência ou descumprimento de algum dever de cuidado no contexto do acidente. Lages relatou que, a princípio, a dinâmica apontada foi que Gabriel realizava uma solda em uma peça e teria solicitado a outro operador que baixasse o elevador. Nesse momento, acabou sendo prensado entre dois equipamentos.

 

Os peritos da Polícia Civil retornaram ao local do acidente nesta segunda-feira para analisar a cena. O delegado acredita que o inquérito deverá ser finalizado dentro de um mês e que o laudo da perícia técnica tem previsão de conclusão em até 30 dias.

 

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